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sexta-feira, 4 de julho de 2014

029 - Johann fez as malas

E Johann Wolfgang von Goethe fez as malas! Decepcionado com a poesia, com a neve, com o mundo e consigo, tomou alazões e carroças para o Sul. [Se fosse melhor informado, chegaria ao Brasil]. Parou na Itália. Descobriu que o sol existia – um solzinho europeu-pálido, mas sol de qualquer forma. E descobriu Faustina.

Dela só soube os vinte e dois anos e os olhos pretos e os cabelos pretos em duas tranças pretas que se lhe iam até os pés. E Wolfgang só lhe disse que tinha trinta e nove anos e o tédio do mundo lhe fizera começar três bilhetes de suicídio. 

Com Faustina vieram Petrarca, Nausicaa e fantasmas da Odisseia, que lhe cantaram novos versos de seis sílabas que Goethe marcava dando pancadinhas nas costas de Faustina,  o papel sobre suas costas de seda [os seios de Faustina beijando o lençol], depois de amá-la inteira, inversa, frente e costas. E o calor de sua respiração, que entrava em seu corpo, misturava-se com a dele, transformando os dois amantes em versos na velha e nova forma homérica.

Em um começo de manhã [a pele quase rosa das orelhas de Faustina] o ainda-quase-jovem Johann [a expectativa a roer-lhe] decidiu que de todos os demônios [e de todos os caminhos – sendo isso quase a mesma coisa] preferia o da busca da fama. Algo estúpido [ser lembrado quando já túmulo], mas isso ele o queria. Faustina [a doce Faustina] quedaria na Itália e na lembrança – dos cabelos, das manhãs e dos versos de seis sílabas.

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