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quinta-feira, 3 de julho de 2014

028 - Os Reis de Khaalkir enganam seus povos

Não havia reis em Khaalkir, mas digamos que houvesse, e que fossem cinco [na verdade não havia nem mesmo Khaalkir nem antes do tempo nem em tempo nenhum, mas digamos]. Um desses reis [não o menos sábio dos anciãos] teria decidido enganar seu povo. Pensou [e não errou]: se não dou pão, dou dardos.

[Desnecessário dizer que em Khaalkir o povo se apaixonara por arremesso de dardos – e os arremessadores mais hábeis superavam deuses]. O Rei [sem dar pão] deu dardos: em época ensolarada, os jogadores [em quase-dança] arremessavam estranhos [e caríssimos] dardos cor violeta [e nisso todos não viam o tempo passar nem viam mais nada [as degolas dos oficiais de injustiça ou as queimadas dos senhores de terras].

A cada fome ou furacão o rei respondia não com trigo mas com jogos – esticando cada vez mais os prêmios: os vencedores eram comparados ao deus Thor e a eles se ofereciam [não sem algum exagero] trinta vezes em belas escravas o número de vitórias que obtinham.

Por falta de vontade de enfrentar os bárbaros na fronteira e os outros problemas os reis sucessores [o primeiro já tendo partido para as Regiões Longínquas] continuaram tal política de Algum pão, Muitos dardos. [E qualquer vestígio de culpa há muito já desaparecera].

A Culpa, os Reis, os Arremessadores, o Povo, todos se tornaram cinzas - isso se Khaalkir tivesse existido. Sua não-existência [felizmente] poupou os cronistas de descrever um povo que, na sua oportunidade de ser, preferiu ver homens a jogar dardos. 

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