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terça-feira, 1 de julho de 2014

026 - Luís vê o Limite

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Era o meio da tarde de primeiro de julho de 1914 quando Ludwig Wittgenstein viu o limite do mundo. [Uma tristeza o invadiu, parecendo escorrer mesmo dos nevados fiordes noruegueses à sua volta]. De fato, o acachapante convencionalismo da paisagem incluía até mesmo nuvens de tempestade, parecendo prenunciar o surgimento de algum duende de histórias de fada, ou do deus Thor.

O Demônio do Orgulho [se é que o Orgulho é um demônio] atazanava o jovem filósofo [que, diga-se de passagem, ainda não o era]. Detestava Bertrand Russell, detestava o açougueiro, detestava os colegas e detestava todo o demais. Tal pecado [porém] não se materializava apenas na [esperável] crítica ao outro.

Ludwig esperava entender o mundo. [De fato, seu orgulho-mor consistia que se pensava o único a verdadeiramente entendê-lo]. O Mundo [segundo ele] se resumia a estruturas linguísticas perfeitamente inteligíveis através de uma concatenação lógica – e o que escapava disso não devia ser pronunciado. [Eliminação de toda filosofia].

Viu [no tortuoso caminho que escolheu] flores. Viu musgo. Três insetos. E nada era belo [na verdade, considerou suas descobertas absurdamente banais]. E descobriu que sua banalidade não seria expressa por nenhuma palavra, nem mesmo pela palavra “banal”.

Compreendeu então que o mundo é, as palavras também [e são seres paralelos sem relação entre si] e atingiu o limite – não do mundo, mas das palavras. O que [pensou com razão ou sem ela – é muito pior].

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