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sexta-feira, 13 de junho de 2014

A Rua, a Copa, e eu

1970 e morávamos na Rua Coronel Jucá - e eu nem sabia quem era o Coronel Jucá. Três décadas depois em um sebo no Rio aprendi que se metera em uma dessas esquecidas revoltas da história – a Confederação do Equador, creio – e que não se chamava assim mas seu nacionalismo o levara a adotar o nome dessa árvore bem Brasil.

Para morar a rua Coronel Jucá era meio triste – não triste – deserta. A construção mais próxima [o clube do Banco do Nordeste] ficava a três quarteirões. Vivíamos os cinco [a família], naquele limbo. Talvez explique porque quando os homens de amarelo [um amarelo apenas sugerido pela TV preto-e-branco] entraram em campo contra os homens de branco [a Tchecoslováquia] pensei que jogavam só para nós, ou para mim.

Jairzinho me encantava. [Não Pelé, que naquela copa apareceu relativamente pouco para o gênio que era]. O liso [não consigo pensar em melhor adjetivo] ponta-direita se fazia im-parável [debelando tentativas de todos os gringos]. Entre estes havia umas muralhas. Banks [o goleiro inglês] possuía a ubiquidade: sua mão [não a de Deus] sempre se colocava na trajetória da bola. [Tanto quanto outro paredão, o uruguaio Mazurkiewicz].

Três a um na final e a TV já colocava o aviso Traz outra Copa que esta já é do Povo. Tentativas. Não adiantou – o poder da época findou-se, o futebol para frente também, junto com os meias-lançadores e os pontas-direitas endiabrados. Restaram o marketing, um ou outro escândalo, eu e a Rua Coronel Jucá – hoje um tolo paliteiro de prédios.

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