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sábado, 28 de junho de 2014

023 - Zoroastro perde a cabeça (ou não)

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A coroa azul sagrada de Zoroastro [dizem] não era azul, não era sagrada e [segundo cinco das sete versões mais conhecidas] sequer era uma coroa. [As histórias por sua inexistência foram há muito descartadas como apócrifas]. A história desse estranho rei [do qual não se sabe o tempo, o espaço geográfico (embora limitado ao atual Oriente Médio) nem o clima no seu reino (apesar dos relatos de constante ventania)] é [no entanto] cercada de [suspeitas] certezas e quase-parábolas que a tornam não dessemelhante a um conto de fadas.

Dizem [por exemplo] que estava na casa dos cinquenta anos; que pensava por longos períodos do dia nos perigos que tinha evitado [se certo dardo inimigo tivesse se desviado um palmo] e que [por honestidade ou prazer] contava cada moeda dos cofres reais – o patíbulo aguardando pelas cabeças do tesoureiro que perdesse alguma.

Quanto à sua coroa [segundo versão compreensivelmente pouco considerada] pertenceu a seu pai, ao qual matara [inadvertidamente] e se casara com a mãe do pai, e tal [quase ridícula] distorção da lenda de Édipo lança sombras sobre a credibilidade do Rei, do Reino, da Coroa e [quase] dos leitores. Uma das [poucas] formas de considerar ainda crível tal mito é [como o fizeram alguns] considerar que certo deus babilônico o conheceu [surpreso por ver um humano tão incoerente] e adotou seu nome: Zoroastro, ou Zaratustra. [Segundo uma fofoca sem nenhuma base crível, o rei teria inspirado o filósofo Nietzsche a escrever sobre o semideus].

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