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quinta-feira, 19 de junho de 2014

014 - O Diabo e Luís XVI

O Diabo visitou le Roi Louis XVI [não se sabe se em 20 ou 28] de novembro [ou talvez tenha sido março] de 1775. Sabe-se que veio em um banal meio-dia, com o vento esperavelmente parado, sob um sorriso amarelo [na cor mesmo – os dentes amarelados] e com algo de teatral nos gestos [de comédia vagabunda de esquina].

Difícil saber sua idade [alguns dizem que ele vive depois do tempo]. Pitando um charuto [explicados então os dentes] falou macio, quase com intimidade [o rei entendeu que ele é íntimo de todos, até dos reis]. E falou de medo. Do que podia ser feito, mas falou de medo. Do que poderia acontecer, e falou com medo. Falou de Maria [que ousadia (pensou Sua Majestade) ele usar para seus pérfidos propósitos a Mãe do Outro – mas se calou – de medo].

Descendo a assuntos mais práticos, tomou alguns papéis na mesa real – reformas, resmungou a pitar o charuto. O Rei esperou conselhos ou ameaças. [Não vieram]. Só [talvez] um conselho – disse para o rei dormir – e suas reformas também. Que desse tempo sobre o tempo mais ao tempo. Que fizesse coisas, mas que também deixasse as coisas aconteceram como sempre tinham sido. Esse conselho [contraditório] apenas trouxe tensão ao real espírito. E não foi embora em nuvens de fumaça. Tomou uma carruagem – por sinal com uma roda meio solta.

E é o que se sabe [se é que se sabe até isso]. Dizem que se encontrariam de novo [na guilhotina que cortaria a real cabeça], o outro parecendo sinceramente preocupado. Isso, porém, é óbvia especulação.

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