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segunda-feira, 16 de junho de 2014

011 - Os bárbaros Bárbaros

Os Bárbaros não vieram durante 299 anos, 10 meses e 4 dias [com o calendário do Sumo sacerdote a marcar a contagem até em segundos]. Um dia [para ser preciso, uma tarde de neblina] chegaram [esperavelmente pela fronteira norte (como nas elegias de heróis), liderados por inevitáveis sete cavaleiros vestidos de amedrontadores mantos amarelos]. [Difícil saber quando esse episódio muito repetido e pouco pesquisado aconteceu, sendo a maioria das apostas pelo ano 467 d.C., em outubro, talvez no dia 23].

Motivava-os uma pouco provável [mas inteiramente compreensível] busca da Fama [do líder que sobrasse, depois os sete se entre-estraçalhassem].

Conscientes do que queriam [a imortalidade que acompanha os grandes criminosos] matavam com o inverso da ira, que não é o amor senão a indiferença. Dizem os poucos que eles pouparam [não por qualquer sentimento de humanidade, mas por que alguém deveria testemunhar as suas atrocidades] que, atingida certa quantidade de estupros e mutilações, alguém os avisava que já tinham feito quanto bastasse, e paravam, sem olhar para suas vítimas.

Afirmam [não sem abusar do direito à ingenuidade] que esses bárbaros queriam protestar [de maneira um tanto truculenta] da estupidez humana de erigir estátuas aos César, Alexandre Magno e Átilas da vida [e da morte].

Não conseguiram [no entanto] a fama: o Imperador Leão I reuniu suas tropas, esmagou-os em batalha e cravou-os em estacas até o pescoço. Nem do povo nem de seu rei [o último dos Sete] se sabe o nome.

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