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domingo, 15 de junho de 2014

010 - MargaRita jurou que me amava

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Margarita Carmen decidiu que seria minha mulher [padre, marcha nupcial, vestido laranja e três daminhas com punhos de renda] em uma hora [não sei bem] entre 1 e 2 de fevereiro de 1943. [O Mundo (em guerra) presumivelmente tinha mais o que fazer que importar-se com os pequenos desejos da Srta. Margarita Carmen].

A cerimônia [tal como a imaginava Margarita Carmen] teria lugar numa estranha igreja cercada pela neblina. No seu auge [Margarita Carmen (depois do tratamento para tirar os bulbos capilares da testa) parecia sempre no auge] e um conveniente ar de autopiedade [como uma estátua de Maria Santíssima com algum passado] Margarita Carmen me beijaria por três vezes [castamente como princesa de História de Fadas] e [baixando os olhos] sussurraria que eu [agora] a possuía.

E me pediria [quase que com certa charmosa culpa] que eu a levasse para [a nossa] casa. [A romântica Hollywood dos tempos pela janela].

E me diria [sob o leito de núpcias (de lençóis convenientemente vermelhos)] que nunca mais seria de John, de David, de Rigoberto, de François, de Umberto, de Wilhelm, de Alexander, de Sven, de Charles, de Charles [eram dois], de Maxwell, mas minha [e só minha Margarita, aliás Rita, aliás Rita Hayworth].

Puxei um charuto cubano e disse-lhe precisava partir para filmar jangadeiros no Ceará, em um lugar que não adiantava que ela procurasse no mapa. E depois emendaria com uma filmagem no país basco francês. Depois, quem sabe.

Eu, George Orson Welles, não sou um cara ciumento.

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