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quinta-feira, 12 de junho de 2014

007 - Frankie vai ao Trópico

Mary Wollstonecraft Shelley publicou a história de seu médico e de seu monstro em 1818 e [inevitavelmente] detonaram em dias as acusações de plágio. Uma delas [não a menos crível e publicada em duas notas do Evening Herald no verão do ano seguinte] afirma que certa história [convenientemente anônima] já circulava pelos fiordes da Noruega sobre um Dr. Krankenstiin [a diferença de nomes sendo de pouca importância] e da criatura que fabricou, não de pedaços de cadáveres como [não sem certa obviedade] colocou a poetisa britânica mas de nacos de celulose e de restos de animais [o que lhe dá certo toque de modernidade nestes tempos de reciclagem].

Ambicioso, estudante de medicina, perdido no estudo, desejoso de fazer ciência à sua maneira e de criar uma criatura bela como as gravuras de Thor, as semelhanças entre o norueguês e o Dr. Viktor Frankenstein estudante suíço de Mary Shelley resultam por demais óbvias para serem ignoradas. Uma diferença fundamental [e que provavelmente foi a responsável de que, fora duas diatribes no Daily News, a acusação de plágio nunca tenha prosperado] é que o outro Dr. Frankenstein persegue seu monstro não na neve mas em um ambiente escuro.

Não prosperou nenhuma das hipóteses para justificar esse [aparente] disparate. Somente um leitor [também anônimo] afirmou que Frankenstein não seria monstro de terras míticas, mas viveria sob a densa selva tropical sem sol – daí a cor. Apesar de sua aparente racionalidade, nem esta hipótese prosperou.

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