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segunda-feira, 30 de junho de 2014

005 – Cervejota faz a nação

A cerveja Skol lançou comercial para seu popular produto. Um grupo de brasileiros canta uma paródia [na verdade uma distorção completa] do que eles denominam hino da Argentina. Atraídos pela cantoria, os platinos são presos e despachados para Buenos Aires.

Choveram comentários no Youtube. Muitos críticos.

A criação de uma identidade nacional: trata-se de convencer milhões de pessoas que nunca se viram, que na maior parte moram distantes umas das outras, que catam lixo [algumas] e colecionam diamantes [outras] que todas têm algo em comum: a nacionalidade. E por ela devem morrer. E às vezes matar. Como fazer isso.

Os governos europeus dos séculos XVIII e XIX enfrentaram essa questão e a pesquisadora Anne-Marie Thiesse o revela em seu pequeno ensaio La création des identités nationales (Éditions du Seuil, 2001).

As respostas encontradas resvalam no cômico. Criam-se roupas típicas onde não existiam; forjam-se autores falsos para epopeias nacionais; transformam-se obscuros choques de bandos em gloriosas batalhas; escolhem-se reis ou exploradores de caráter duvidoso para serem heróis. Tudo para convencer pessoas de que elas são diferentes do Outro – o estrangeiro.

A artificialidade do Estado-nação é patente quando se vê que tudo o que há para unir as pessoas é antagonizá-las a algum vizinho. No caso, os argentinos.

O bem-humorado anúncio cervejístico  tem sua parcela de estupidez. Toda construção de identidade nacional é [no entanto e quase que por definição] estúpida.


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