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sábado, 28 de junho de 2014

004 – E vocês ainda acreditavam que o Colonialismo fosse casto???

Uma notícia desta Copa informa que os rapazes gaúchos se revoltam porque as moças preferem estrangeiros. Não preferem: mordem, deglutem, regurgitam.

Gente, por favor:

VOCÊS AINDA ACREDITAVAM QUE O COLONIALISMO FOSSE CASTO??

Lênin, pessoal, estava certo. [Lênin estava errado]. O Imperialismo [e sua variante colonial] é uma forma de colocar excedentes, acumular, etc. etc. Corretíssimo. Mas também é uma estrutura mental, uma forma de se ver como pessoa e como nação. [O velho Vladimir errava ao não enfatizar isso].

O professor David Spurr publicou o ensaio The Rethoric of Empire (Duke University Press, 1993). Nele não analisa a relação colonial – mas o discurso da relação colonial – como ela é entendida [e justificada, ou suportada] por colonizadores e colonizados.

Contradição até o osso, o colonialismo parte de [e permanece em] uma antítese entre uma identidade e uma ruptura: o colonizado é igual ao colonizador [por isso podem se relacionar]; o colonizado é menos que o colonizador [por isso precisa dele].

Dez estratégias retóricas identifica o autor para resolver este choque. Interessa-nos a última, a Erotização, significativamente subtitulada Os Haréns do Oriente (cap. 11). O território colonizado é visto como disponível virgindade para o bravo explorador: matas, montanhas e moças.

Mas elas querem – precisamente. A retórica colonial não pertence ao colonizador; ela beneficia a ele, mas pertence também ao colonizado. Pertence a todos e todas nós, caros moços brasileiros e gaúchos.


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