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terça-feira, 3 de julho de 2012

Assim você me assusta, Paulina Peña


Quase menina – mal completou dezesseis. Explodiu no Twitter – chamou os adversários do seu pai de “prole”(tários) e “pent...lhos”. A mensagem original foi do seu namoradinho. Ela apenas repassou. Mas isso não ajudou em nada.

Seu pai Enrique Peña Nieto acaba de ser eleito presidente do México, apesar do furacão de acusações de compra de votos.

Paulina Peña me assusta. Bonitinha e nada extraordinária, a garota simboliza uma classe média que se consolidou no mundo – comendo os mesmos hambúrgueres, perdendo calorias nas mesmas academias de Pilates, assistindo a Madagascar 4000 e trocando pequenas fortunas por um rótulo Prada.

Pior – uma classe média que se vê inteiramente dissociada dos que não possuem o mesmo nível de consumo - diferentes dos porteiros e serventes que esperam na parada de ônibus que veem de dentro do Jipinho-de-luxo.

Consideram-se diferentes – e de certa forma o são. Vejam-se as adolescentes num shopping de luxo – quase todas belas – a beleza hoje se compra e constrói a golpes de drenagens linfáticas e escovas progressivas.

Nisso, a classe média mundial parte ou pensa partir o mundo em dois – nós e eles – eles, os proles e o outro nome que a garota utilizou.

Essa clivagem de uma mesma espécie animal em duas bandas me assusta. Mesmo na carinha bonitinha de uma garota que se acha pertencente à parte superior. 

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