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domingo, 20 de maio de 2012

Apontamentos para uma impossível história do Caos - VIII



Os gregos no Caos


Mircea Eliade no seu Mito do Eterno Retorno menciona pouco os gregos. Curioso, pois ele os classifica no que chama não sem um suave preconceito de povos primitivos. Não obstante, o caroço duro dos seus exemplos vem de tribos da África, América e Polinésia, e entre os antigos, da Mesopotâmia. A Hélade tem importância quando o autor fala da decadência da concepção circular de tempo dos antigos – que levou exatamente ao mito do eterno retorno, ou da eterna volta do que acontece.

Aristófanes menciona a concepção de um mundo nascido do Caos. É um dos poucos gregos que o fazem apesar de tal concepção fazer parte de sua mitologia. A mais extensa e menos explicitamente política de suas peças descreve um mundo onde os pássaros são os senhores – e temem os humanos que os perseguem. Chama-se previsivelmente Os Pássaros. Nela em certo momento o coro explica: antes havia só o Caos, as Trevas, A Noite e o Tártaro. Nela não estava a terra, nem o ar, nem o céu.

No turbilhão a Noite concebeu um ovo de trevas. Desse ovo com o passar das estações saiu Eros. O Amor dourado e brilhante. Ele elevou os pássaros para serem os primeiros no amor - eles que antes penavam na mistura do Caos.

A concepção mesopotâmica penetra a fala do coro, embora sua concepção de Caos sem falsa piada seja caótica. Para os mesopotâmicos, tudo já existia no Caos. Para os Pássaros, ou para Aristófanes, nem terra, nem ar nem céu existiam. Uma concessão existe quando os pássaros afirmam estarem antes na opressão do Caos. Eles são os filhos do amor e da luz. E existiam. Portanto, o de bom existia. É um elemento mesopotâmico nesse trecho de Aristófanes. Outros gregos não o teriam.

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