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segunda-feira, 12 de março de 2012

Resenha de filme - Depois da Chuva, de Takashi Koizumi


Kurosawa decidiu pela delicadeza – é a lição se Após a Chuva, filme feito por seu discípulo Takashi Koizumi baseado em roteiro que foi deixado quase completo pelo mestre.

O samurai sem emprego Misawa vaga pelos interiores do Japão feudal em busca de ocupação, junto com sua esposa. São pobres. Um rio em enchente os impede de passar, e eles têm de conviver com outras pessoas em uma hospedaria. Misawa acha que sua mulher se ressente da pobreza, e sempre tenta sair daquela situação. Mas sua mulher o admira e só quer ficar com ele. Misawa contrasta com os samurais em geral, reis da testa franzida: ele é gentil, delicado, sorri. Isso em nada atrapalha sua habilidade de bom lutador. Para trazer comida às pessoas da hospedaria ele some e faz uma luta por dinheiro – uma grande desonra para um samurai.

Pode ser visto como um filme paralelo a Sanjuro, de 1962, trinta e sete anos antes. Neste, um samurai pobre ajuda rapazes ricos a saírem de uma encrenca. Os rapazes são uns bobocas, e Sanjuro Tsubaki não perde nenhuma oportunidade de lhes jogar isso na cara. Sanjuro e Misawa passeiam por uma sociedade feudal injusta que os condena a vagar sem rumo certo. Ambos têm uma bondade intrínseca. Sanjuro vê a estupidez humana e a ironiza e ressalta.

Kurosawa se rende em Após a Chuva – rende-se à doce estupidez humana, seu egoísmo, seu quase suicídio coletivo. Misawa sorri da tolice alheia, compreende, e tem esperança. O discurso de sua mulher perdoando e enaltecendo o marido para os empregados de um senhor feudal é um hino à delicadeza.

A delicadeza – a conclusão de uma vida dedicada a fazer arte com cinema.

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