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segunda-feira, 5 de março de 2012

Resenha de filme: Billi Pig, de José Eduardo Belmonte

Na linha despretensiosa, filme com a grife Selton Mello: gags, caretas, confusões, equívocos, cortes rápidos de cena. O início: Marivalda (Grazi Massafera), suburbana carioca candidata a atriz bonitinha e desprovida de qualquer talento, ouve conselhos de um porquinho de pelúcia falante, quer ser uma grande estrela, e é casada com Wanderley (Selton), dono de seguradora falido. Para segurar a mulher, este planeja um golpe com o falso padre (Milton Gonçalves) para arrancar dinheiro de um chefe do tráfico.

Billi Pig é filme gêmeo de “Reis e Ratos”, estreado também há pouco. Os núcleos da trama começam dispersos, e numa história bem conduzida espera-se que antes da metade do filme estes já estejam unificados e coerentes uns em relação aos outros. Não ocorre. Nos dois filmes, os cortes rápidos demais dificultam a compreensão de uma trama em que várias sub-histórias ficam incompreensíveis (Reis e Ratos) ou inúteis (Billi Pig). O romance insinuado entre a dona da funerária (Preta Gil) e seu empregado charmoso não se desenvolve, o que é uma pena, e queda sem final.

Em Billi Pig certos elementos também surgem do nada, como o pato pintado de azul. Cabe lembrar Pirandello, para o qual cada fato no teatro tem ser precedido por premonições, e sucedido por comentários. Por si mesmo, o fato é um saco vazio que só se põe de pé desta forma.

Por incrível, Billi Pig é assistível. Não é Glauber Rocha. Mas traz alguns sorrisos e uma ou outra gargalhada. Não é pouco.

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