.

.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Resenha de filme: Sanjuro, de Akira Kurosawa

Há personagens recorrentes em narrativas de diversas épocas, de diversas culturas e meios de difusão. O cineasta japonês Akira Kurosawa criou mais uma manifestação de um desses avatares ao filmar Sanjuro em 1962. Sanjuro Tsubaki na verdade nem tem nome – ele inventa esse nome quando lhe perguntam. Nem nome, nem emprego. É um ronin, um samurai desempregado do século XIII, vendendo seus serviços ao clã feudal que queira comprá-los. Nem emprego, nem roupas – seu quimono é surrado. Livre e pobre.

Chega a certo feudo em tempo de conflito. Nove rapazes creem que há corrupção no feudo, enquanto o senhor feudal está ausente. Planejam uma revolta. Sua ingenuidade os destina ao fracasso. Mas o ronin aparece do nada, ouve seus planos, dá-lhe os conselhos certos, insulta-os quase sempre. Eles relutam, mas obedecem. Claro que o outro lado, o lado corrupto, não se apetece dessa situação. O filme é o desenrolar de uma luta entre as duas facções do clã, com o ronin como fiel da balança.

Sanjuro é descendente de personagens do gênero picaresco – aquele pobre, que vive numa sociedade desigual, injusta, e que para sobreviver conta só com sua esperteza. João Grilo é assim. Assim como o senhor feudal esfarrapado de O incrível exército Brancaleone e os metalúrgicos empobrecidos de Ou tudo ou nada. Diferentes, enfrentam a sociedade de classes e a prepotência dos ricos com humor e esperteza. O resultado são filmes quase sempre leves, mostrando que a descontração está do lado do oprimido. Seja feliz assistindo por um par de horas a Sanjuro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário