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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A música segundo Tom Jobim - resenha

A obra de arte assusta, especialmente quando respaldada em um nome sagrado como Nélson Pereira. Ou melhor, eu me sinto pequeno diante dela – acho que me falta algo – linguagem, conhecimento, algo.

No entanto o famoso crítico Rubens Ewald Filho me animou a escrever. Sem se preocupar com legitimações ou abordagens, ele escreveu o que eu sentia mas não tinha coragem de dizer: o fato de a dupla de diretores ter optado por não dar nenhuma informação rouba um bocado do valor cultural do filme. Louco por datas como sou, fiquei o tempo todo tentando calcular quando o artista havia nascido – chutei em 1928, o que bateu na trave – foi em 27. Outro passatempo ao qual o filme obriga o espectador é ao de ficar adivinhando quem são os cantores/as. Alguns dá para saber, mas a maioria, principalmente os estrangeiros, passam longe.

Resta a música, como era o propósito declarado dos diretores. Na verdade não só ela, pois há o visual. O filme prescinde da linguagem falada.

Até que ponto ela importa? Wittgenstein no aforismo 5.6 do Tratado Lógico-Filosófico afirma que os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo. Os diretores parecem ter presumido que o espectador teria já um bocado de linguagem para elaborar o conteúdo do filme – que ele sabia sobre a época de Tom, quem foram Juscelino e Vinicius, ou Frank Sinatra, o que a Bossa Nova fez e significou. Para esses, o filme faz muito sentido, é perceptível dentro de seu mundo.

Para quem não tenha tais informações, muito pode passar em branco.

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