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terça-feira, 5 de julho de 2016

2016 07 05 – AJAX e JAX

Começo esse livro de irrelevâncias falando de Ajax, o herói grego. Como todo herói grego, dele pouco se sabe – exceto que era grego e Homero o registrou, assim como a seus companheiros de viagem e guerra Ulisses, Aquiles, Agamenon et caterva.

Ajax não pensava que
sua tragédia continuaria
Lembrei de Ajax por cause de Jax – na verdade certo senhor Jackson Rodrigues da Silva, que adotou esse apelido. Mr. Jax me apresentou a algo que até 48 horas atrás ignorava que existia, o Rap Motivacional.

Alguns versos que decorei me levaram a achar tal coisa no Youtube.

Jax e Ajax têm mais em comum do que pensam. O funkeiro (acho que ele é isso) desfia algo como “São 8 da manhã, minha hora de treinar/ Shake preparado, pré treino de guerreiro/Minha farda, a regata, colada no peito” “Caminho pela rua, mas não estou sozinho/A benção do senhor, ilumina meu caminho/Todo dia essa rotina, todo dia nessa guerra”. A música se chama “Guerra Diária” e o nome é adequado. |De fato tudo o que o Sr. Jax canta tem a ver com dor, esforço solitário - o que ele chama de superação.

Mr. Jax provavelmente não sabe mas ele tem algo de grego. Talvez muito. Seus vídeos sobre rapazes de subúrbio querendo estourar de tanto músculo me lembram os anti-heróis da Ilíada – sabiam que iam morrer, mas tinham de fazê-lo. Era seu destino, algo assim. Ele não é do cristianismo – em seus raps não existe redenção, só dever e luta, e sacrifício e mais nada.

Nunca imaginei que uma academia de ginástica pudesse originar uma tragédia grega.

domingo, 13 de março de 2016

As Mulheres da Minha Vida

Balsemão desprezou o 
conselho  da sua mãe, de se 
tornar empreiteiro 
sem nem saber o
lugar da obra
Depois do tonitruante sucesso da Operação Thutmosis VII, sobre a máfia das compras de múmias de segunda mão, e da Operação Saco de Gatos, nas quais um grupo prometia realizar taxidermias a preços superfaturados, eu o Detetive Artemidoro Balsemão vi-me guindado aos píncaros da glória nacional e planetária. Isso malgrado minha natural modéstia, provada pelas melancias que carrego no pescoço e que usaria como brinco, não fosse eu homem de formação conservadora, nascido na saudosa Santa Rita do Jucurutuca, terra tradicional, em que os homens cozinham e pintam as unhas e as mulheres trabalham na roça, ou coisa parecida.

Nisso vi-me afogado de pedidos de casamento, noivado, e até beijos na boca (Não, Angelina, por favor, eu já disse que não ligasse tanto; e você, Giselle, não se separe de seu marido - o coitado te ama). Mas a verdade [verdade essa que causará uma onda de baixas de pressão e ansiedade] é que o coração deste velho detetive já está ocupado por várias:

Cacilda Regielena nas horas vagas
escreve sobre decoração interior de motéis
Viscondessa Aristotélia de Balsemão – minha augusta genitora foi a primeira mulher da minha vida, desde o tempo em que me fazia subir em suas costas e aliviar as jabuticabeiras do vizinho do seu excesso de carga, dizendo ser uma ecologista;

Cacilda Regielena – minha nobre secretária com sua voz de LP rachado e sua paixão sufocada por este veterano detetive espera sempre seu verdadeiro amor – e nisso já teve 47 namorados, já descontada a inflação;

Retrato da doce Mulher-Gato
 quando zangada
 Mulher-Gato – ela me azunhava, rasgava minha pele, deixava-me com marcas vermelhas. Abandonou-me no dia em que sua manicure por engano lhe cortou as unhas. Disse que me ligaria no dia seguinte, e, enquanto espero, faço umas operaçõezinhas contra a corrupção, etc. Tudo pelo amor.



  • Artemidoro Balsemão saiu valentemente às ruas para defender o Imperador Dom Pedro II em 1964 – até perceber que estava lendo jornais atrasados.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Operação Suja-Prato, a Primeira

[Esta reportagem fará manchetes em Nova Iorque, Japão e na minha saudosa Santa Rita do Jucurutuca e reparará uma injustiça, em prova que eu realizei a primeira dessas portentosas operações - a Operação Suja-Prato].

O Velho Detetive e seus Estagiários
  relaxados antes da operação, 
sabendo que seria tranquila
Estava este Velho Detetive em encontrozinho íntimo privê com Nicole Kidman, Angelina Jolie e Irina do-Cristiano-Ronaldo quando a voz gasguenta e fanhentosa da minha secretária Cacilda Regielena me acordou: eu estava sendo convocado a resolver o caso de um roubo de um picolé de limão, já meio lambido.

Orgulhoso de que finalmente conferiam um trabalho à minha altura, dirigi-me ao indigitado local. Como o menino vítima do roubo negaceava o depoimento, prometi-lhe três figurinhas do Jaspion [que ele não conhecia] no primeiro caso de delação premiada [também inaugurada por este veterano Detetive].

A Corrupção está em todos os lugares. 
Estagiários-detetives apuram 
se há algum protozoário envolvido.
E descobri que não se tratava de um picolé lambido. Mas de cinco. Na verdade, cinco mil. E sequer eram picolés. O caso picoleiro se entranhava com uma complexa trama envolvendo mísseis balisticos intercontinentais e a fórmula secreta para chicletes que não derretem na boca e 7.539 pessoas, as quais interroguei todas, cada uma indicando dezessete novos implicados.

Após uma manhã inteira envolvido nesse exaustivo trabalho, passando os olhos na lista de 19.756.793 denunciados, vi, no final da lista, o meu próprio nome.

Homem imparcial que sou, convoquei-me para depoimento, prometendo, a mim mesmo, um encontro privê com Nicole Kidman, etc., como recompensa. Coisa que não vai acontecer, pois sei que no final terei apenas a pilha de pratos lá na quitinete para lavar – daí o nome da pioneira operação.


  • Artemidoro Balsemão estudou na Escola contra o Crime de Batman e Robin – foi expulso pois se deixou enganar pela Mulher-Gato, que lhe prometeu casamento e até hoje.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

2016 01 24 - O Veterano Detetive resolve o problema das licitações

Dia desses, eu, o Detetive Artemidoro Balsemão, dedicava-me a profundos e afogados pensamentos sobre como seria possível resolver o problema das licitações que infelicitam o nosso eufórico país.

Aspecto da Sala de Licitações, repleta de licitantes honestos

[De fato, tais pensamentos me vieram depois de outro alarme falso – pareceres técnicos de insofismável honestidade garantiram que, no caso da licitação de palitos de dente usados, qualquer preço abaixo de 100 contos por palito significaria falência dos pobres e ingênuos licitantes].

Pensei então no estratagema – em vez de tentar saber quem são os ladrões, o que tem sido feito desde que Cabral era menino, eu tentaria identificar os honestos. Mandei publicar então aviso nos jornais:

Licitação Direcionada n. 000000000001/2016
Licitantes honestos a analisar 
um edital, com os trajes típicos 
da época

Este certame será ganho por quem entregar mais queijos de minas, perfuminhos parisienses e ipods para as pessoas certas. Quê? Quer saber o objeto da licitação? Pra quê?

Meu raciocínio [brilhante, um dia alguém mais além de minha secretária Cacilda Regielena reconhecerá isso] era que, se as licitações aparentemente honestas atraem lobões, as licitações aparentemente roubadas atrairão cordeirinhos.

Sentei-me na mesa de licitações, armado de um bloco de notas para anotar os lances, um par de lápis e um celular ching-ling do camelô, e pus-me a esperar. Como os licitantes tardavam, tirei um cochilo.

Quando este velho detetive abriu os olhos, não havia mais lápis. Nem bloco de notas. Nem mesmo a vetusta mesa licitatória.


Mas antes que os pessimistas comecem sua algaravia, observo que não quiseram o celular. A Honestidade ainda existe.

domingo, 17 de janeiro de 2016

2016 01 18 - O Detetive Balsemão contra a Máfia dos Picolés

Encontrava-me eu a digerir meu saudável jantar gourmet de Cheetos e coca tamanho triplo quando atarantado telefonema de minha secretária Cacilda Regielena interrompeu a paz da minha luxuosa quitinete segundo subsolo fundos: a Máfia dos Picolés Azuis atacava novamente.

O Veterano Detetive procura o 
último exemplar do picolé azul,
 tendo todos os outros já sido
 lambidos
Já era universalmente conhecido que, a começar pela Prefeitura de Santa Rita do Jucurutuca, meu doce e amado torrão natal, todas as entidades públicas, privadas e as privadas de todo o país decidiram que finalmente o país se voltaria para professores, ambulatórios e laboratórios. Antes disso, porém, a nação deixaria na pindaíba os professores, ambulatórios e laboratórios, para comprar picolés. Os lambíveis artefatos carreariam fama mundial ao país, que lucraria horrores com os turistas que afluiriam sem nem deixar espaço aos pobres e apertados nacionais.

Efeitos do Picolé
no tataravô
do bravo Detetive
A bordo de meu DKW-Vemaguet lancei-me à caça da sub-reptícia máfia, quando vi que, no seu afã maléfico, cometeram um erro: na falta de corante, esmagaram umas pílulas azuis para os picolés de anis. A pista não foi difícil: foi só seguir a trilha de velhinhos serelepes acompanhados por jovens tatuadas a fazer fila em hotéis com nome em neon e portas cor violeta.

Finalmente encontrei a Máfia, junto com as mais honradas autoridades da minha doce Santa Rita, além de outras. Ia soar-lhes a merecida voz de prisão, quando me declararam que dessa vez o país daria prioridade à educação e à saúde. Mas antes destinariam vultosos fundos à produção massiva de tais picolés, que trariam fama mundial ao país, etc.


Desconfiado, disse que daria 300 anos de prazo para tão tonitruantes resultados aparecerem. Eles disseram que não seria tão demorado. Bastariam 299. 

domingo, 10 de janeiro de 2016

2015 01 11 - O Detetive Balsemão contra a máquina da Corrupção

Estava eu, o velho Detetive, a ruminar minhas recordações do meu antigo camarada Álvares Cabral, o Pedro, quando uma ligação interrompeu a placidez do meu DKW-Vemaguet modelo 1963. Ansioso como quem recebe uma ligação de amor da Angelina Jolie (que por sinal continuo esperando) reconheci a voz fanhenta e carrascosa de minha secretária Cacilda Regielena.

Cacilda faz lenços 
de crochê enquanto
 espera o seu príncipe.
 Na foto, o lenço 
número 797.342

Ah, Cacilda Regielena, boa menina prendada do campo, sempre em busca do verdadeiro amor – já teve trinta e nove namorados. Todos os dias a me dar telefonemas informando desabamentos da casa, perda de entes queridos, ameaças de morte e de ouvir 25 horas seguidas de forró eletrônico, diagnósticos de doenças incuráveis, incêndios na vizinhança, sem falar nas notícias ruins.

- Seu Balsa (assim me chama ela, talvez reprimindo uma paixão oculta) descobriram a máquina da corrupção aí perto do senhor.

Tomando nota do indigitado endereço, desloquei-me (em alguns trechos empurrando o velho e fiel DKW) para a insuspeita locação. Peguei-os em flagrante. Como homem atualizado que sou, usei a expressão:

O Veterano Detetive a tentar entender
 a complexa máquina da Corrupção
- Apanhei-te, cavaquinhos! Então sois vós os miseráveis sarangas, sacripantas, papalvos e aldrabões que infelicitam o país com vossa funesta máquina! Recebei agora a punição por vós merecida!

- Oh, meu caro senhor – disse um deles. E me revelou que a corrupção, ao contrário do que espirra a patuleia, é responsável por empregos, avanço tecnológico, criação de novos compostos patenteados de moléculas de aminoácidos e pelo desenvolvimento de meios eficazes para convencer um violinista clássico a se tornar fã de Luan Santana.


Estonteado pelo raciocínio tão adredemente desenvolvido, decidi voltar ao escritório para estudar a situação junto com minha fiel secretária. Estamos meditando seriamente sobre a possibilidade de entrar com embargos de declaração, para ver se entendemos alguma coisa.

domingo, 3 de janeiro de 2016

O Povo quer o Detetive Artemidoro Balsemão (o herói contra a corrupção)

- JÁ CHEGA!!!!!!

Amenóphis IV e Nefertiti VII,
avós do velho detetive
Cansado de atraso tecnológico no programa espacial de lançamentos de satélites artificiais geoestacionários, dos minúsculos incentivos no orçamento geral para síntese de compostos químicos biotecnológicos de quarta geração, dos iogurtes diet que têm gosto de mouse de computador mofado, e de pular catracas de metrô, o povo do estado, do bairro, do País, da Humanidade, e até a nobre e guerreira população da briosa municipalidade de Santa Rita do Jucurutuca gritou:

- JÁ CHEGA!!!!!

O pai de Balsemão, em profundo
meditar sobre onde raios deixou o
controle remoto
E após queimar as pestanas, miolos e até as contas velhas que deixou acumuladas na gaveta desde o inesquecível ano de 1889, esta mesma população concluiu: somente uma pessoa poderá nos salvar:

- É um pássaro, é um avião? Não! É o Detetive Artemidoro Balsemão, o herói contra a corrupção!

E a pergunta que atormenta os centros de pesquisa filosófica, os laboratórios de nanotecnologia e nutracêutica avançada, os reality-shows de culinária que só deixam os espectadores babando, e os hoteizinhos com portões cor de violeta que oferecem descontos a universitários é a seguinte:

- QUEM É ARTEMIDORO BALSEMÃO???


(este semanário aceita respostas até o domingo que vem, quando responderá esta pergunta que atormenta o Planeta Terra e também os vizinhos. A resposta que chegar mais perto ganha um sanduíche de queijo e um LP arranhado do Skank).