domingo, 24 de novembro de 2013

Microensaios de noite de domingo - Os Yes Men contra o mundo!!


Li/Vi na Internet e divido com vocês





Os Yes Men contra o mundo!!

Esqueça Marx escrevinhando na Biblioteca de Londres. Ou Lênin discursando para o Soviete de Petrogrado. Ou Che Guevara escondido na Sierra Mestra. O capitalismo tem seus mais novos inimigos: em vez de filosofia hegeliana, a palhaçada, no lugar de metralhadoras, o Youtube e os esquemas de crowdfunding, em vez de discursos, nonsense: são os Yes Men.

Altos, e magros e por volta de seus trinta, os Yes Men poderiam ser executivos de multinacionais. E é disso que eles se disfarçam. Essa dupla de militantes adota o princípio A roupa faz o homem e seus ternos e sua aparência permitem que irrompam em reuniões de multinacionais ou da Organização Mundial do Comércio para fazer palhaçada – com propósito: denunciar um mundo em que poucos têm muito e muitos não têm nada. (Às vezes em sua tarefa são ajudados por militantes vestidos de fantasias de bonecos tão surrealistas quanto eles).

Têm seus focos: começaram criticando o desastre de Bhopal, na Índia, na qual multinacionais químicas massacraram toda uma população. E continuam, ampliando, sempre criticando, sempre contra quem tem e quer mais.

Essa dupla maluca encarna o nonsense: tudo neles é real porém meio surrealista. No entanto, sem-sentido mesmo talvez seja o mundo que combatem, e que [talvez não sem alguma razão] querem mudar.

Boa Semana.

@@@@@@

Durante este segundo semestre alguns puderam ler as crônicas que escrevi sempre na noite de domingo sobre as coisas belas/interessantes/loucas que acho pela Net. Agradeço a quem pôde acompanhar. Entramos agora em fase de planejar os projetos de escrita para o ano de 2014. Os quais divulgaremos a tempo. Pois o Mundo pode até parar.


Mas a Internet, não.

Boa passagem de ano.

Paulo Avelino

domingo, 17 de novembro de 2013

Microensaios de noite de domingo - Gente talvez demais

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Breathingearth


Gente talvez demais

Vamos fazer o seguinte: não leia esta crônica logo agora. Abra o portal acima e levante, tome uma água. Eu fiz isso. Também mordisquei uma barrinha, chequei a agenda. Quando voltei, tomei susto: nesse período o mundo havia aumentado em mil, quatrocentos e quarenta e sete pessoas. O tempo de uma água e cafezinho.

O portal Breathingearth tem algo de sinistro, inegável. Suas cores têm um tom fosco amarronzado e um [irritante] som semelhante ao chocalhar de uma cascavel o perpassa monotonamente – como a lembrar que o fato que ele mede é monótono, diário, diuturno, não para, não cessa nem cansa.

E o fato que ele mede é a chegada de gente ao mundo. Mas não só: também mede as emissões de carbono. Rolando-se o mouse sobre cada país pode-se ver a população de cada um, o aumento populacional e a indicação se sua população aumenta ou diminui.

Imagine preparar um jantar para algumas pessoas. Certo, boa parte de nós já faz isso. Agora, nesta noite de hoje virão dois convidados a mais. Bem, dois ainda é possível remediar – se compras foram feitas há pouco talvez nem se precise ir ao supermercado. Não, os convidados são quatro. Aí não tem jeito: vai ser preciso sair e comprar mais comida.

Não: os convidados são duzentos e dezenove mil. Esta noite. E amanhã, mais duzentos e dezenove mil. E depois, mais duzentos...

Alguém comparou a Terra a uma nave. Talvez seja mais adequado compará-la a um elevador. E cada vez mais cheio.

Boa Semana.

domingo, 10 de novembro de 2013

Microensaios de noite de domingo - Mensagem a alguém

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Mensagem a alguém

Não se pode dizer que este assunto interesse a todos. Afinal nem todos possuem contas no Google. Pensando bem, interessa a todos. E não precisa ser algo pesadão. Talvez seja a tecnologia ajudando as pessoas a fazerem o que [quase] todos dizem que se deve mas [quase] todos não fazemos, por deixar para depois, por vergonha, por algo.

Bem, todos nós partiremos ao encontro de alguém, talvez um simpático velhinho de barbas brancas, sei lá. O supermonstro Google, preocupado tanto com seus clientes como com a quantidade de material ocupando espaço em seus servidores e cujos donos não as apagarão, resolveu criar o Gerenciador de Contas Inativas.
 
Funciona simples: alguém não quer que seus dados [as mensagens do Gmail, os poemas no Blogue] se percam depois que for ver o tal velhinho. Então essa pessoa escolhe um prazo [eu escolhi seis meses]. Depois desse prazo, se a conta não for acessada pelo dono, outra pessoa [que você informa] recebe por e-mail os dados técnicos para recuperar tudo.

O que parecia uma providência burocrática se transformou quando o programa abriu uma janela para escrever uma mensagem pessoal para aquele alguém. Presumivelmente uma pessoa amada [e muito amada]. Aí valeu tudo: todos os lugares comuns da emoção abriram comportas. O que você escreveria?

Nada de melancolia: estou escrevendo e você está lendo, atividades presumivelmente incompatíveis com a tal visita ao tal velhinho. Mas serve a lição: O que você diria e para quem diria?

Boa Semana.

domingo, 3 de novembro de 2013

Uma ou outra história do Palácio de Versalhes...

 
 

Versalhes é uma paisagem artificial, que nada tem da natureza em sua volta. Tudo nela foi pensado, plantado, simetrizado. Esse vídeo de 4,5 minutos conta algumas histórias dela. Eu o gravei  no local.

domingo, 6 de outubro de 2013

Microensaios de noite de domingo - Velhos Filmes, Emoções Novas

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Velhos Filmes, Emoções Novas

Os artistas podem ter diferentes pais e mães mas todos eles têm o mesmo tio – o tio Vira, conhecido na pressa como Ti´Vira, ou te vira.

E Virar-se, tirar leite de pedra, criar em cima de circunstâncias longe de ideais é o que fazem [conscientemente ou não] os rapazes do Frame Circus.

Apesar do nome, esse grupo de músicos é brasileiríssimo. Compõem-no os artistas Paulo Beto, Maurício Fleury e Tatá Aeroplano. Fazem músicas para antigos filmes mudos.

O resultado é a revitalização de antigos celuloides [muitas vezes esquecidos] provando mais uma vez que cinema é áudio e visual, e que o áudio vem primeiro na palavra e talvez no fato.

O clássico Annabelle, de Thomas Edison, ganha nova dimensão. A dançarina gira, flutua no ar e na música eletrônica do Trio e na medida em que a dança evolui torna-se densa, quase apocalíptica. O mesmo com a doce Alice e com o Inferno.

 É uma forma curiosa de resolver uma contradição dos tempos: meios de reprodução cada vez mais simples e baratos, permitindo a difusão do conhecimento e da beleza a velocidade alta e preços baixos, e leis cada vez mais duras cerceando ciumentamente a difusão do conhecimento e da arte em nome dos direitos autorais. O Frame Circus trabalha com filmes já em domínio público, fazendo arte com o que pode.

E fazendo o que se pode, talvez se faça o que [parece] impossível. Com vocês, os brasileiros do Frame Circus.

Boa Semana.

domingo, 29 de setembro de 2013

Microensaios de noite de domingo - A Culpa é de Rodolfo Valentino

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A Culpa é de Rodolfo Valentino

Ninguém pode dizer que uma sequência de dois minutos em um filme mudou o mundo e portanto não o digo. Mas chegou perto. Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse não vale muito como enredo - é um dramalhão no celuloide com pouco a ver com a seu congênere bíblico. A trama do filme de 1921 conta a história de um proprietário de terras argentino e seu neto sedutor.

O neto sedutor convida uma jovem para dançar. A câmera em zoom, o rapaz beija a garota inclinando-se sobre ela. Cena abala-corações. Femininos, por supuesto.

Rodolpho Alfonzo Raffaello Guglielmi Pierre Filibert da Valentina D'Antonguolla, o Rodolfo Valentino, é o culpado. Antes dele, um homem não precisava ser um sedutor. Apenas um bom fornecedor - de dinheiro e pão para a patroa e as crianças, e de material genético para que as crianças existissem. Era o que se esperava de um homem. Isso explica os namoros de duas semanas antes do casamento com cavalheiros da esbelteza de Sancho Pança e a simpatia de políticos latifundiários. Para que mais?

Rodolfo mudou tudo. Os namorados e noivos e até maridos, depois dele, tiveram de aprender a seduzir. O que teve implicações desagradáveis: redução da periferia do estômago, aprendizagem de como falar de forma arrepiante, e até aperfeiçoamento na arte de dançar. Problemas ou soluções que até hoje persistem.

A Internet o mostra nos seus filmes – o culpado Rodolfo Valentino.


Boa Semana.

domingo, 22 de setembro de 2013

Microensaios de noite de domingo - A Inútil Internet

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The Useless Web

A Inútil Internet

Um sapo tenta hipnotizar o espectador; gatos pulam no solo; uma enguia dá um tapa em um homem; bolinhas se se dividem quando se passa o mouse por cima delas - não são poucos os que dizem ser a Internet inútil, e esses tiveram o [não pouco significativo] reforço da The Useless Web.

Seu visual clean semelhante ao Google pode até dar a impressão de que se trata de alguma coisa útil. The Useless Web não mente – consiste em um mecanismo de entrada para um grupo de portais juntando imagens e sons e movimentos desgraciosos, às vezes feios, muitas vezes surpreendentes, e sempre e sempre – absolutamente - inúteis. Além dos exemplos do começo desta crônica, o internauta pode perder alguns preciosos segundos de seu tempo de vida a contemplar a palavra HeeeeeeY!, ou ver um avestruz gargalhando, ou um desenho de árvore crescer. Tudo ao alcance do clique.

Por anos as possibilidades da Rede têm encantado escritores, poetas, pintores, escultores. No entanto as tentativas de uma arte digital têm resultado quase sempre em curiosidadezinhas de se ver em apenas um segundo ou pouco mais – e depois passar adiante. Nada da reverência com a qual se encaram as artes já estabelecidas. Conseguirão os artistas digitais um dia fazer a sua Mona Lisa, Vênus de Milo ou Dom Casmurro cibernéticos? Esse é o sonho.

O pesadelo é que a Arte Digital produza apenas inutilidades bobinhas de uma futura Internet Inútil – uma grande - e useless – Rede de Irrelevâncias.

Boa Semana.